Manchas de humidade em casa: Quando é normal e quando é motivo de preocupação

Manchas de humidade em casa: Quando é normal e quando é motivo de preocupação
  • Author Image:
  • Author Name: João Carvalho
  • Author Label: Author
Quais são as diferenças de humidade em casa e como resolver de forma definitiva
Com chegada do Outono, chegam também as primeiras chuvas que trazem sempre consigo as mesmas histórias. Uma mancha nova, que antes das férias não estava lá. Um cheiro ligeiramente diferente no quarto de arrumos. Uma parede que começa a esfarelar ou soltar-se junto ao rodapé. Um soalho que parece estar mais escuro. E a primeira pergunta fazemos, é sempre a mesma: isto é grave, ou é normal? A resposta honesta é: depende do tipo de humidade. E é exatamente aqui que a maioria das pessoas (compradores, vendedores, e até alguns profissionais) costuma enganar-se, porque trata toda a humidade como se fosse o mesmo problema, e não é. Há três tipos distintos de humidade com causas diferentes, soluções diferentes e, sobretudo, níveis de gravidade muito diferentes.
Porque é que a humidade aparece mais agora
Importa enquadrar, porque não é uma coincidência estas manchas surgirem nesta altura sobretudo entre setembro e novembro. O verão seca os materiais e disfarça problemas que já lá estavam ou agrava o estado de conservação dos materiais. Com as primeiras chuvas consistentes e a queda da temperatura, a água encontra (ou volta a encontrar) o caminho para se propagar pelas paredes/tetos/pavimentos, e com isso os sinais que estavam escondidos tornam-se visíveis. Por isso, um imóvel pode parecer perfeitamente seco numa visita em julho apesar de ter problemas sérios que apenas se tornam visíveis em novembro.
Os três tipos de humidade (e porque a distinção importa)

Humidade de condensação é a mais comum e, regra geral, a menos grave. Acontece quando o ar quente e húmido de dentro de casa encontra uma superfície fria, normalmente surge num canto mal ventilado, uma parede exterior sem isolamento suficiente, ou na casa de banho que não tem extração de ar (ou tem e é insuficiente). Esta humidade identifica-se através de manchas escuras arredondadas, muitas vezes com bolor, concentradas em zonas específicas como cantos de teto, atrás de armários encostados a paredes exteriores, ou junto a janelas. Na maioria dos casos, é um problema de ventilação e isolamento, não tanto um defeito estrutural. Não quer dizer com isto, que deva ser ignorado porque a exposição continuada a bolor tem impacto real na qualidade do ar e na saúde respiratória de quem vive na casa.

Humidade de capilaridade já é outra conversa. Surge quando a água do solo é absorvida pelas paredes através dos materiais, subindo por capilaridade (Funciona da mesma maneira que um guardanapo a absorver água por baixo). Esta humidade normalmente reconhece-se por uma faixa mais ou menos horizontal de humidade na base das paredes, normalmente não excede um metro de altura, com reboco a esfarelar, eflorescências brancas (sais que cristalizam à superfície) e um cheiro característico a mofo/bolor/humidade, muitas vezes mais intenso junto ao chão. Este tipo de humidade normalmente é mais difícil e mais caro de resolver, porque normalmente exige intervenção na impermeabilização da base do edifício, não apenas pintura, ventilação ou mera ocultação estética através de gesso cartonado ou lambrim de azulejo que passado algum tempo estará danificado.

Humidade de infiltração, esta é a que exige atenção imediata, porque geralmente aponta para um problema físico concreto, seja uma cobertura danificada, uma caixilharia mal vedada, uma fissura na fachada, ou uma fuga na canalização dentro de uma parede. Reconhece-se por manchas que aparecem depois de chuva forte, muitas vezes com forma irregular e a espalhar-se a partir de um ponto específico (uma janela, junto ao teto, ou a acompanhar o trajeto de uma tubagem). Ao contrário da humidade por condensação, este tipo tende a piorar com o tempo se a causa não for corrigida, porque a água continua a entrar a cada chuvada.

Quando é motivo de alerta genuíno
Não podemos catalogar todas as manchas de humidade da mesma forma, e nem sempre é motivo de alerta para recuar na decisão de compra, e é importante clarificar isto com clareza, pois uma casa com sinais pontuais de condensação, bem identificados e com causa óbvia, não é uma casa problemática. O que deve preocupar mais é a combinação de sinais (humidade em vários pontos não relacionados, manchas que reaparecem pouco depois de terem sido pintadas, cheiro a bolor persistente mesmo com ventilação, ou reboco que se solta ou esfarela ao toque. Isso costuma indicar um problema mais antigo e mais profundo do que aquilo que está à vista, e é precisamente o tipo de situação em que uma simples pintura, feita antes de uma visita, pode esconder temporariamente algo que vai voltar algures no decorrer do tempo.
O que isto significa se está a comprar casa
Este é o ponto que diferencia a visita técnica, da visita ao imóvel, pois a humidade raramente é visível na sua totalidade numa visita normal. Um comprador vê a superfície a parede pintada, o teto aparentemente seco no dia da visita. Não vê o que está por trás do reboco, nem consegue distinguir, sem equipamento adequado, se uma mancha recente é condensação ligeira ou o primeiro sinal de uma infiltração que já dura há anos. É por isso que uma inspeção técnica antes da compra não é um exagero nem um capricho próprio de pessoas desconfiadas, é o que transforma uma decisão às cegas numa decisão informada. Estamos a falar, quase sempre, do maior investimento financeiro de uma vida. Saber com precisão qual é a origem de uma mancha, qual o seu grau de gravidade e qual o custo real de resolução, antes de assinar um qualquer contrato de compra, é a diferença entre negociar com informação ou descobrir o problema depois, já sem margem para decidir ou negociar.
O que fazer se encontrar sinais de humidade

Se está a viver numa casa com humidade, o primeiro passo passará sempre por identificar qual o tipo de humidade antes de agir (pintar por cima de uma infiltração ativa, por exemplo, é apenas dinheiro perdido ou ocultação pontual, porque o problema vai continuar presente).

Se está a comprar ou a vender um imóvel e encontrou (ou suspeita de) sinais de humidade, o mais sensato antes de decidir é pedir uma inspeção técnica que consiga distinguir as três situações acima, apontar a origem do problema e circunscrever ou não a causa.

A humidade não vai desaparecer por si só, mas também nem sempre é o problema grave que parece à primeira vista, ou que transforme um negócio imobiliário, num mau negócio.

A diferença está em saber a fundo e com rigor o que se está a passar, e essa é, a razão de existir da Blepo, porque Ver Melhor, é Decidir Melhor.

Ver melhor. Decidir melhor.

Subscreva a newsletter

Image
A Blepo

Links Úteis

Sede Blepo

M.: Lagoas Park Edifício 7,
2740-244 Porto Salvo - Oeiras
Lisboa, Portugal | Obter direções

T.: +351 211 224 781*
E.: geral@blepo.pt

* Custo de uma chamada para a rede fixa nacional.
Horário de Funcionamento das 9h às 18h nos dias uteis.