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Qual é o melhor mês para comprar casa sem sofrer nenhum desgosto?
Qual é o melhor mês para comprar casa sem sofrer nenhum desgosto? Não é julho, não é agosto! E há uma razão para isso.
O sol ajuda.
As casas parecem mais luminosas, as varandas ficam mais apetecíveis, as fotografias ficam melhores e até aquela parede com uma pequena mancha parece menos preocupante quando entra luz pela janela.
Mas há um problema: uma casa não vive apenas no verão.
E, sobretudo, uma casa não é apenas aquilo que vemos durante uma visita de 30 minutos, a meio da tarde.
Se está a pensar comprar casa, talvez devesse guardar esta regra:
Veja a casa com sol. Veja a casa com chuva. E, se possível, veja-a também à noite.
Porque há coisas que só aparecem quando mudam as condições.
Julho e agosto podem esconder aquilo que novembro revela
O verão é fantástico para vender casas.
Para comprar, pode exigir um pouco mais de atenção.
Durante os meses quentes e secos, alguns problemas relacionados com a água e a humidade podem estar menos evidentes.
Uma infiltração pode não apresentar sinais recentes.
Uma parede pode parecer seca.
O bolor pode estar menos visível.
Uma zona afetada por condensação pode não mostrar qualquer sinal.
Uma cobertura pode parecer impecável depois de semanas sem chuva.
Mas depois chegam sempre os meses de chuva e com eles também as primeiras perguntas:
Por onde entra a água?
Onde aparece a humidade?
Há condensações?
A casa consegue manter uma temperatura confortável?
As janelas e paredes estão devidamente isoladas?
Porque tenho os tetos a ficarem pretos?
É por isso que o outono e o inverno podem ser excelentes aliados de quem quer perceber verdadeiramente o comportamento de um imóvel.
Não significa que não se deva comprar casa em julho ou agosto.
Significa apenas que, se comprar no verão, deve compensar aquilo que a estação não permite observar com uma inspeção técnica mais cuidadosa e feita por profissionais.
Mas há outro segredo: visite a casa à noite
Esta é uma das recomendações que na blepo fazemos a qualquer pessoa que esteja a pensar comprar uma casa:
Não faça apenas uma visita. Faça pelo menos uma visita à noite.
E há uma razão muito simples.
Grande parte da nossa vida em casa acontece depois de o sol desaparecer.
É à noite que chegamos do trabalho.
É à noite que fazemos o jantar.
É à noite que nos sentamos no sofá.
É à noite que as crianças dormem.
É à noite que queremos descansar.
E é também à noite que alguns dos problemas mais incómodos de uma casa começam a tornar-se evidentes.
O barulho que não existe às 15h pode aparecer às 22h
Durante o dia, uma rua movimentada pode parecer relativamente tranquila, mas experimente estar no mesmo apartamento às 22h30.
De repente, há trânsito.
Motociclos, aviões, comboios, ambulâncias…
Restaurantes.
Pessoas na rua.
Portas de garagem.
Contentores do lixo.
Cães a ladrar.
E, dependendo da localização, bares ou outros estabelecimentos que prolongam a atividade até tarde.
O silêncio de uma casa não se mede apenas durante o horário de trabalho e muito menos em 30 minutos de uma visita ao imóvel
E os vizinhos?
Há outra coisa que uma visita durante o dia dificilmente revela:
como se ouve a vida dos vizinhos?
É à noite que se percebe se as paredes e tetos têm um bom isolamento acústico.
É à noite que pode ouvir passos no piso superior.
Uma televisão na casa ao lado.
Portas a fechar.
Conversas.
Móveis a arrastar.
Crianças a brincar.
Ou simplesmente os ruídos normais de um edifício que, quando se tornam constantes, podem deixar de ser tão normais para quem lá vive.
E há uma pergunta muito simples que vale a pena fazer:
“Eu conseguiria dormir aqui?”
Pode parecer uma pergunta banal.
Pode valer milhares de euros.
É por isso que na blepo fazemos medições acústicas e analisamos o que esta por detrás das paredes e a sua espessura.
Faça também a visita com as janelas fechadas
Outro pequeno teste que pode fazer uma enorme diferença.
Entre numa divisão.
Feche as janelas.
Fique em silêncio durante alguns minutos.
Depois abra-as.
Ouça.
Volte a fechá-las.
A diferença diz-lhe muito sobre o isolamento acústico da casa e sobre aquilo que poderá ouvir todos os dias.
Porque não basta perguntar se uma janela é de vidro duplo.
É preciso perceber o comportamento do conjunto: caixilharia, vidro, instalação, paredes, caixas de estores e restantes elementos construtivos.
E há coisas que uma visita simplesmente não consegue revelar
É aqui que entra uma inspeção técnica independente.
Uma visita tradicional serve sobretudo para perceber se gostamos da casa.
Uma inspeção técnica à procura perceber em que estado está a casa.
São coisas muito diferentes.
Humidade, infiltrações, pontes térmicas, sinais de degradação, problemas de impermeabilização, estado de conservação, anomalias construtivas ou determinadas deficiências das instalações podem exigir conhecimento técnico e equipamentos específicos para serem identificados.
E quanto maior for o investimento, maior é a importância de saber o que estamos realmente a comprar.
E então afinal, qual é o melhor mês para comprar?
A resposta da BLEPO é simples:
Não existe um mês mágico para comprar uma casa.
Mas existem melhores formas de a avaliar.
Se comprar no verão, procure sinais que normalmente só aparecem no inverno.
Se visitar durante o dia, volte à noite.
Se gostar da casa depois de 30 minutos, tente imaginar como será viver nela durante 30 anos.
E, sobretudo, não confunda uma casa bonita com uma casa saudável, confortável e tecnicamente bem conservada.
Porque comprar uma casa é muito mais do que escolher uma localização, uma vista ou uma cozinha bonita.
É comprar noites.
É comprar manhãs.
É comprar silêncio.
É comprar conforto.
É comprar despesas futuras.
É comprar manutenção.
E, muitas vezes, é comprar problemas que ainda não conseguimos ver.
Por isso, antes de assinar o CPCV, faça uma pergunta simples:
“Já vi tudo aquilo que preciso de ver?”
Se a resposta for “não sei”, talvez seja precisamente esse o momento certo para fazer uma inspeção técnica connosco.
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